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Crise no abastecimento mobiliza população em audiência pública “Águas da Nossa Gente” em Parauapebas

Publicado em Quinta, 28 de Mai de 2026, 18h19 | Voltar à página anterior

A Câmara Municipal de Parauapebas foi palco, na tarde desta quinta-feira (28), de um dos debates mais aguardados pela população: a audiência pública “Águas da Nossa Gente”. O encontro reuniu autoridades, representantes de instituições e, principalmente, moradores que enfrentam diariamente problemas no abastecimento de água e saneamento básico no município.

Com grande participação popular, a audiência se destacou pelo espaço democrático garantido à população. A tribuna foi aberta e todos os cidadãos interessados puderam se manifestar, transformando o plenário em um ambiente de escuta ativa e cobrança direta por soluções.

A mesa diretora foi presidida pelo vereador Alex Ohana, autor do Requerimento nº 122/2026, responsável por convocar o debate. Também compuseram a Mesa o Representante da Aegea/Águas do Pará e Gerente Executivo de Operações, Vilmar Pereira; o representante do Serviço Autônomo de Água e Esgoto de Parauapebas (SAAEP), Nilton Lima; o Prefeito Municipal Aurélio Goiano; o Presidente da OAB Subseção Parauapebas Guilherme Melo; o Defensor Público Luís Gustavo Albuquerque; o Coordenador do Procon Linicker Pereira; o Procurador Geral do Município Absolon Mateus e o Chefe de Gabinete do SAAEP, Erikson Nunes.

Participaram virtualmente da audiência profissionais técnicos da Agência de Regulação e Controle de Serviços Públicos (ARCON-PA), Alfredo Barros, Coordenador Técnico de Energia e Rodrigo Pessoa, coordenador Técnico de Saneamento, que contribuíram com análises técnicas sobre o cenário. Também estiveram presentes durante a audiência os vereadores Elvis Silva, conhecido como Zé do Bode, Sadisvan Pereira, Leandro do Chiquito e Fred Sanção.

A audiência ocorreu em meio a um período delicado de transição na gestão dos serviços de abastecimento de água e esgotamento sanitário, transferidos para a iniciativa privada após concessão regionalizada estruturada pelo Governo do Estado. Embora o processo ainda esteja em fase de transição — com o SAAEP mantendo papel central na operação e fiscalização —, os impactos já são sentidos pela população.

Desde o início de 2026, moradores relatam falhas recorrentes no fornecimento, incluindo interrupções frequentes, baixa pressão na rede e problemas na qualidade da água. Episódios críticos de desabastecimento, especialmente em fevereiro, evidenciaram fragilidades estruturais do sistema, reconhecidas pela própria concessionária.

Durante a audiência, dados de uma pesquisa realizada pelo gabinete do vereador Alex Ohana reforçaram a gravidade da situação. Com 237 respostas válidas coletadas entre os dias 8 e 26 de maio, o levantamento revela um cenário preocupante: 59,5% dos entrevistados classificam a qualidade da água como regular ou péssima, enquanto apenas 7,7% consideram o serviço ótimo. Além disso, 77% afirmam enfrentar falta de água várias vezes por semana ou diariamente.

O tempo de desabastecimento também chama atenção: mais da metade dos moradores (53,7%) fica sem água por mais de 12 horas, e cerca de 30% relatam interrupções superiores a 24 horas. Há ainda registros de famílias que passaram dias seguidos sem acesso ao serviço, comprometendo atividades básicas como higiene e alimentação.

Outro ponto crítico é o impacto financeiro. Segundo a pesquisa, 83,8% dos entrevistados consideram a tarifa cara ou muito cara diante da qualidade do serviço prestado. A percepção de cobrança indevida, falta de leitura de hidrômetros e ausência de transparência nos critérios tarifários também foram amplamente citadas.

As manifestações populares durante a audiência confirmaram os dados levantados. Moradores relataram problemas como água com cor, cheiro e gosto alterados, vazamentos não reparados, esgoto a céu aberto, além de dificuldades no atendimento por parte da concessionária.

Diante do cenário, a audiência resultou em encaminhamentos importantes, como a solicitação de um cronograma detalhado de obras e investimentos, maior transparência na política tarifária, apresentação de relatórios de fiscalização pelo SAAEP, acompanhamento contínuo da ARCON-PA e a elaboração de um plano específico para bairros mais afetados.

Texto: Josiane Quintino / Fotos: Paula Gastão (AscomLeg 2026)

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