Legado eternizado: CPM oficializa nome da educadora Sônia Côrtes em Memorial e Biblioteca
A Câmara Municipal de Parauapebas (CMP) aprovou o Projeto de Resolução nº 2/2025, de autoria da Mesa Diretora, que oficializa a denominação do memorial e da biblioteca da Casa como "Memorial e Biblioteca Legislativa Sônia Côrtes".
Fachada interna do Memorial e Biblioteca Legislativa Sônia Côrtes
A proposição altera Resolução nº 5/2010, que criou o Instituto Legislativo da Câmara Municipal (ILCM) ao qual o memorial e a biblioteca são vinculados, restabelecendo o reconhecimento à homenageada.
“A professora Sônia Côrtes desempenhou papel fundamental na educação do município e na valorização do conhecimento dentro da Câmara Municipal, sendo justa e adequada a permanência de seu nome vinculado a este espaço de memória e aprendizado”, ressalta trecho da justificativa do projeto.
Fotos do acervo pessoal de Sônia Côrtes
A alteração proposta também corrige equívocos históricos na grafia do nome da homenageada, pois o Decreto Legislativo nº 01/2001 grafou erroneamente o nome como "Sônia Cortês", enquanto o letreiro na fachada da CMP contém a inscrição incorreta "Sônia Cortez".
“Esses equívocos precisam ser retificados para preservar corretamente o nome e o legado da professora, cuja trajetória na educação merece total respeito e reconhecimento”, enfatiza a Mesa Diretora no texto.
O Projeto de Resolução nº 2/2025 tramitou em regime de urgência e foi aprovado por unanimidade em sessão extraordinária realizada no dia 25 de março. A urgência na tramitação foi justificada pela relevância simbólica do mês de março, dedicado internacionalmente às mulheres.
Mesa Diretora da CMP é a autora do Projeto de Resolução nº 2/2025
Promulgação
A proposição foi promulgada pelo presidente da Mesa Diretora, Anderson Moratorio (PRD), e tornou-se a Resolução nº 1, de 26 de março de 2025. No dia 28 de março houve o descerramento da placa com o nome de Sônia Côrtes, em evento de homenagem às mulheres realizado na Câmara.
Na ocasião, Moratorio ressaltou que denominar o Memorial e Biblioteca Legislativa com o nome de uma servidora é manter vivo o trabalho excepcional que ela desempenhou, assim como sua trajetória de dedicação e comprometimento com o serviço público.
Presidente da Mesa Diretora da Câmara, Anderson Moratorio (PRD)
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Com a entrada em vigor da nova resolução, a Câmara Municipal de Parauapebas realizará a adequação da identidade visual, placas indicativas e documentos administrativos para assegurar a efetiva implementação da homenagem à professora Sônia Côrtes.
Biografia
Sônia Maria de Lima Côrtes nasceu em 23 de janeiro de 1946, na cidade do Rio de Janeiro, então capital do Brasil. Casou-se com o Luiz Francisco Vicensotti e desse matrimônio nasceram dois filhos: Luiz Francisco Vicensotti Junior e Luiz Guilherme Côrtes Vicensotti. Devido a natureza do trabalho do marido, que era membro da equipe de comunicação da Aeronáutica, morou em diversas cidades do país.
Formada como normalista, trabalhou como professora de alfabetização. Posteriormente, se formou em Educação Física, profissão que a possibilitou exercer uma das paixões de sua vida: a dança. Chegou a integrar o grupo de dança olímpica profissional do Clube do Vasco da Gama do RJ e foi a primeira a difundir a dança olímpica com fitas e argolas em Goiás e Minas Gerais. Para melhorar a renda, também trabalhou como maquiadora e maquiava celebridades e misses nesses estados.
Por volta de 1978 se divorciou e seguiu a carreira de educadora, mudando-se para o Maranhão e, em seguida, para o Pará, onde morou em Serra Pelada, Tucumã, Belém, Parauapebas e Curionópolis.
No período em que morou em Tucumã, o homem com quem Sônia Côrtes viveu, atirou nela. Devido a este crime bárbaro, ela ficou paraplégica e passou a viver presa a uma cadeira de rodas. Mesmo após esta fatalidade, ela seguiu sua vida de forma bastante autônoma, trabalhando e educando.
Em Parauapebas, durante o ano de 1996 trabalhou na Secretaria Municipal de Educação e, logo começou a atuar na Câmara Municipal, por solicitação do então Presidente Ademir Paulo Dan (Juca), que a nomeou como responsável por organizar, a recém criada, Biblioteca Legislativa.
Neste período, Sônia Côrtes também promoveu uma série de capacitações para os servidores da Casa de Leis, em várias áreas do conhecimento, desde alfabetização, matemática simples e atendimento ao público até regras de etiqueta e cursos de ortografia oficial. A iniciativa garantiu melhoria do nível dos trabalhos legislativos no município.
Após sua passagem pela Câmara de Parauapebas, Sônia Côrtes mudou-se para Curionópolis e, logo depois, Serra Pelada, onde se dedicou à defesa e à luta dos direitos dos garimpeiros que trabalhavam na região.
Luiz Francisco Vicensotti Junior, filho de Sônia Côrtes, ressalta que ela "possuía características singulares como ser humano e profissional inigualável, pois era uma mulher muito gentil, culta, afetuosa, prestativa e responsável, que sempre andava impecável, dona de um sorrindo radiante no rosto e que amava a vida, mesmo após ter sido vítima de tamanha covardia".
Sônia Côrtes morreu em fevereiro do ano 2000.
Texto: Nayara Cristina / Foto: Renato Resende / AscomLeg 2025