Câmara de Parauapebas aprova apoio a sindicatos e rejeita moção de repúdio a Secretário de Saúde
A sessão ordinária da Câmara Municipal de Parauapebas, realizada na terça-feira (3), foi palco de debates intensos sobre os direitos do funcionalismo público e a gestão da saúde municipal. Os parlamentares apreciaram duas moções distintas: uma de apoio às frentes sindicais e outra de repúdio à gestão hospitalar municipal.
Apoio ao movimento sindical: luta pelo auxílio-alimentação
O plenário aprovou a Moção de Apoio nº 8/2026, de autoria do vereador Zé do Bode (União), que manifesta solidariedade oficial aos presidentes e diretorias do Sindicato dos Trabalhadores em Saúde no Estado do Pará (Sindsaúde), do Sindicato dos Trabalhadores em Educação Pública do Pará (Sintepp) e do Sindicato dos Servidores Públicos de Parauapebas (Sinseppar).

Zé do Bode (União)
A homenagem é um reconhecimento aos esforços das entidades em defesa dos direitos dos servidores públicos municipais, especialmente diante da polêmica gerada pelo Projeto de Lei nº 17/2026, que visa alterar a forma de pagamento do auxílio-alimentação — que atualmente beneficia mais de 11 mil trabalhadores — substituindo o depósito em dinheiro pelo modelo de cartão-benefício.
De acordo com a justificativa da moção, os sindicatos argumentam que a mudança reduz a autonomia financeira dos servidores, limitando o uso do recurso apenas a estabelecimentos credenciados.
“Nesse contexto, afirmo que este parlamentar reconhece e valoriza o trabalho incansável dos líderes sindicais, que, de forma organizada, democrática e engajada, têm buscado garantir o respeito às conquistas históricas da classe trabalhadora municipal, bem como promover o diálogo e a defesa intransigente dos direitos de milhares de servidores que prestam serviços essenciais à população de Parauapebas”, afirmou Zé do Bode na justificativa da proposição.
Repúdio ao Secretário de Saúde é rejeitado
Em contrapartida, a Moção de Repúdio nº 11/2026, apresentada pelo vereador Fred Sanção (PL), não obteve os votos necessários e foi reprovada pelo plenário. O documento era direcionado ao Secretário Municipal de Saúde, Luiz Veloso, e baseava-se em denúncias sobre o falecimento de uma jovem gestante no Hospital Geral de Parauapebas (HGP).

Fred Sanção (PL)
O parlamentar relatou que a paciente Jessica Castro teria permanecido dois dias em trabalho de parto, apesar de indicações clínicas de risco e necessidade de cesariana. Para além da responsabilidade médica, Fred Sanção argumentou que caberia também à gestão garantir protocolos clínicos atualizados e fiscalização permanente.
“A morte materna é um evento gravíssimo e, quando há indícios de falha sistêmica, evidencia possível deficiência na gestão, planejamento e supervisão dos serviços hospitalares. A população de Parauapebas não pode aceitar que falhas estruturais ou administrativas coloquem vidas em risco. Gestão pública exige responsabilidade, vigilância constante e compromisso real com a dignidade humana”, enfatizou.
Entretanto, com a reprovação da Moção de Repúdio nº 11/2026, ela será arquivada.
Texto: Nayara Cristina / Foto: Renato Resende (AscomLeg 2026)
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